Vivendo Música, Tecnologia & Sociedade by Tadeu Oliveira
quarta-feira, 20 de abril de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
MINHA VISÃO SOBRE TECNOLOGIA & SOCIEDADE
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| Fonte da imagem: Site Pensador |
A globalização mudou a concepção de espaço e tempo ao retirar fronteiras e redesenhar espaços sociais onde, mesmo sem sentir, “o tempo voa e escorre pelas mãos”, como diz Lulu Santos na sua bela canção Tempos Modernos.
Para
quem, como eu, nasceu e viveu uma infância no auge dos extremos e das exceções,
com um pouquinho de observação terá isso muito claro no momento atual. Afinal
de contas, tive uma infância muito similar a do menino que descrevo nessa crônica
postada no blog Canta Minas (clique no link para ler). Ao contrário dessa
criança que vivia no mundo lúdico propiciado pelas brincadeiras no ambiente do
fundo de um quintal, o que se vê no mundo de hoje são crianças e adolescentes usufruírem
cada vez mais precocemente dos bens tecnológicos que influenciam na conduta e nas
relações sociais.
No
meu tempo criança, embora não seja tão saudosista como cantava Ataulfo Alves e a
despeito de ser uma bela canção, os bens tecnológicos eram coletivos e muito
raros para a maioria das pessoas. Eles basicamente se resumiam na aquisição de
liquidificador, geladeira, fogão a gás, enceradeira, máquina de lavar enquanto
o sonho de consumo da maioria era possuir televisão e uma linha telefônica,
coisas somente possíveis para os afortunados. Convivi com o esfregão de
encerar, fogão a lenha, a conservação por períodos de até seis meses das carnes
cozidas e guardadas em latas de banha de porco, sem contar outras apetitosas
delícias culinárias livres de conservantes e muitas outras formas de se viver
cotidianamente sem a presença da tecnologia.
Em
contrapartida, principalmente nos últimos vinte anos, os bens tecnológicos têm
se tornado cada vez mais objetos individuais e portáteis, de fácil manuseio e
com uma tecnologia digital que não era imaginável pela maioria das pessoas. E
o que isso muda na relação com o mundo?
É notória a importância da tecnologia na cura de doenças, no desenvolvimento de novas técnicas na agricultura que possibilitam uma maior produção de alimentos para um mundo cada vez mais habitado, nos meios de transporte e, principalmente, junto aos meios de comunicação que possibilita o encurtamento das distâncias dado a velocidade em que as interações humanas se processam por meio dos aparelhos cada vez mais ultramodernos. Sem contar a variedade e quantidade de informações disponíveis para a maioria das pessoas através da internet, coisa que um pouco antes do fim do século passado se restringia aos jornais e revistas, rádio e tv.
No entanto, no que concerne ao uso de aparelhos tecnológicos e das mídias sociais disponibilizadas na rede mundial, percebe-se em diversas pessoas que evitam o uso desses bens e em outros que os incorporaram de tal maneira ao seu modus vivendi fatalmente levando aos extremos: a resistência ou o uso indiscriminado e sem limites da tecnologia acessível.
é tão grande que muitas vezes perdemos a oportunidade
de usufruir da emoção de um show musical ou uma partida de futebol, cuja cena
não é apreciada diretamente pelo olho humano, mas pelo “olho” da câmara do
celular ou do Smartphone que está nas mãos filmando para ser postado imediatamente
nas redes sociais. O melhor exemplo foi a foto da idosa que viralizou nas redes sociais (foto ao lado), única pessoa que não está com um aparelho de celular nas mãos. Esta conduta nos
faz perder algumas conexões importantes com o como o aqui e agora e segundo
alguns estudos isto tem feito com que a capacidade de memória humana esteja
cada vez mais comprometida.
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| Fonte: Guia de Estudos Tecnologia e Sociedade (UNIS) Clique sobre a imagem para saber a sua fonte |
É notória a importância da tecnologia na cura de doenças, no desenvolvimento de novas técnicas na agricultura que possibilitam uma maior produção de alimentos para um mundo cada vez mais habitado, nos meios de transporte e, principalmente, junto aos meios de comunicação que possibilita o encurtamento das distâncias dado a velocidade em que as interações humanas se processam por meio dos aparelhos cada vez mais ultramodernos. Sem contar a variedade e quantidade de informações disponíveis para a maioria das pessoas através da internet, coisa que um pouco antes do fim do século passado se restringia aos jornais e revistas, rádio e tv.
No entanto, no que concerne ao uso de aparelhos tecnológicos e das mídias sociais disponibilizadas na rede mundial, percebe-se em diversas pessoas que evitam o uso desses bens e em outros que os incorporaram de tal maneira ao seu modus vivendi fatalmente levando aos extremos: a resistência ou o uso indiscriminado e sem limites da tecnologia acessível.
Sabe-se
que a maioria das pessoas utiliza a tecnologia muito mais para o entretenimento
como jogos, bate-papos virtuais, lazer em detrimento da pesquisa, do acesso ao
conhecimento através de sites que disponibilizam livros, filmes, sites que
oferecem cursos onde se aprende línguas, tocar instrumentos musicais e até
mesmo museus virtuais. Ou seja, também pode-se ter a tecnologia oferecida aliada
às necessidades sociais, de estudo e profissionais.
Outras
mudanças incontestáveis no uso da tecnologia são as relações pessoais que se
tornam, na visão sociólogo polonês
Zygmunt Bauman (2000), cada vez mais líquidas. A expressão “modernidade
líquida” cunhada por ele, aponta para a mudança da modernidade denominada
“sólida” para "líquida", pois tudo atualmente tem se tornado “volátil, as relações humanas não
são mais tangíveis, e a vida em conjunto (familiar, casal, amizade, afinidades
políticas, etc) é cada vez mais inconsistente”[1].
Aliada às relações
voláteis propiciadas pela globalização dos meios midiáticos e redes sociais está
em jogo a segurança de informações e de dados e a invasão de privacidade porque
o uso indiscriminado pode levar a este risco, embora cada vez mais a tendência
seja que a sociedade de uma maneira geral se insira nesse universo.
Particularmente, devido
ter convivido desde a infância e, até hoje, com as pessoas simples do
Vale do Jequitinhonha que trazem ainda alguns saberes e fazeres da cultura
popular tenho conseguido fazer a “ponte” entre a tecnologia “rudimentar” e a alta
tecnologia sem maiores traumas. Busco utilizar os recursos oferecidos pela
tecnologia como aliados ao meu trabalho profissional, seja como radialista,
músico ou em pesquisas usufruindo de aparelhos tecnológicos como celular,
tablet, notebook, computador, aparelhos de gravação digital de imagens e de
áudio, bem como das principais ferramentas digitais como internet, blogs,
youtube, soundclouds, myspace, facebook, whatsapp embora com relação a este
último e o twitter, eu tenha uma certa resistência dado à rigorosa “exigência”
em querer respostas imediatas pela maioria dos usuários.
Finalmente, na
minha visão acredito que no mundo atual é imprescindível o uso da tecnologia de
ponta para interagir na “aldeia global” cada vez mais entrecruzando os espaços
de relação e convivência. No entanto, creio haver necessidade de sabermos dosar
o uso dessas tecnologias a fim de não perdermos de vista a relação cotidiana
com as pessoas e a natureza. Muitas vezes deixamos de conviver com as pessoas
próximas, no ambiente familiar ou mesmo de trabalho, enquanto ficamos conectados
com pessoas distantes e até mesmo em outros lugares do mundo. O nível de
dependência tecnológica
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| Fonte: Site G1 Cinema |
Assim sendo, permitam-me
utilizar de uma reflexão de um estudioso do espaço e do tempo. Segundo Hall (2005,
pág. 72)[2], “os
lugares permanecem fixos: é neles que temos ‘raízes’. Entretanto, o espaço pode
ser cruzado
num piscar de olhos – por avião a jato, por fax ou por satélite”. Ou, se ainda o desejarem, até no lombo de um
burro para o desfrute e prazer de uma paisagem natural.
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